Em tempos antigos uma mulher vivia numa caverna subterrânea.
No centro da sua caverna atravessava, desde o teto até ao chão, um grande e grosso tronco de uma enorme árvore. Essa árvore estava enraizada na terra acima da sua caverna.
Era uma árvore majestosa com muitos, muitos metros de altura, que estando no seu sopé parecia que se fundia com o céu azul celeste diurno ou negro salpicado de estrelas douradas.
A Grande Árvore tinha uma majestosa copa verde e dourada luminosa, brilhante.
O seu tronco era dourado, forte, imponente, como um grande canal entre o céu e a terra. A ligação da Alma ao Corpo, do sonho à realidade, das ideias à matéria.
A Grande Árvore entrava pela terra a dentro, tantos ou mais metros do que os da sua copa. O seu tronco descia pela terra como uma âncora, trazendo uma grande estabilidade ao solo à sua volta. As suas raízes desciam por baixo da caverna da Sabia Mulher, dando suporte e estabilidade à sua caverna.
Esta mulher tinha o ritual de varrer o interior da sua casa-caverna, em chão de terra dura, vermelha, compacta, para juntar a areia que se ia soltando das paredes e do chão. Varria todos os dias a areia solta para junto do grande tronco da árvore.
Fazia-o como um transe, um estado de consciência, uma meditação, durante o qual ia vivendo nos pensamentos e memórias da sua vida, do seu dia. Varria enquanto arrumava os pensamentos diários, as preocupações, os acontecimentos da sua vida e da vida da aldeia que chegavam a si. Enquanto varria, limpava tudo, a terra, a energia, o mental, o emocional. E varrendo esvaziava-se do que lhe tirava a atenção necessária para realizar as suas próprias atividades.
Esta mulher sabia juntava também no chão, junto do grande tronco da sua árvore, os restos de plantas, de cascas de frutas e legumes.
E nestes gestos de cuidar do seu espaço interior calcava a terra, molhava-a e regava a sua árvore e a terra perto das raízes e tronco.
E nestes gestos tudo se reciclava e aproveitava.
A árvore recebia tudo o que lhe era dado, nutrindo-se do que já era e já pertencia a si, à mulher, à caverna.
A força e energia daquela antiga árvore era cada vez maior e mais imponente. Porque tudo lhe pertencia, nada era deitado ‘fora’.
Nada estava fora. Tudo o que era vivido, sentido, pertencia a si e ao seu redor. Ao seu mundo.
Também em mim e em ti.
Nada está fora. Nada é exterior. Nada deve se desperdiçar, pois tudo é pertença do nosso sistema.
Assim nós saibamos reciclar e fortalecer os nossos alicerces, a nossa essência, com tudo o que já não necessitamos. Pensamentos, emoções, padrões, crenças, feridas, consciências, que depois de abrir entendimento e depois de servir determinado propósito poderão passar a fazer parte da nossa história e origens. O amor fortalece-se. A dor fortalece.
Nada está fora.
Tudo compõe e nutre os novos ciclos.
Agradeço à minha Alma e à Alma maravilhosa da FL, pois em conjunto trouxemos esta mensagem para partilhar 🙏🌹
Carla Costa Pereira
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